A ansiedade na visão da Gestalt terapia, e o manejo clínico

A ansiedade na visão da Gestalt terapia e o manejo clínico

Ana Carolina Jucá & Gleidson Pires

Em princípio é importante compreender a visão da Gestalt-terapia sobre o evento da ansiedade. Para Perls, a ansiedade é como uma excitação e, portanto faz parte do ser humano. É compreendida como uma tensão entre o agora e o depois, lugar este considerado desconfortável para muitos porque há ai uma necessidade de preencher esse vazio.

O vazio sem preenchimento é o que se compreende como vazio fértil na Gestalt-terapia, e é neste lugar que, o que está no campo pode emergir. O movimento de tornar um vazio improdutivo, portanto preenchido, é um movimento de eliminar a ansiedade, os ajustamentos e os processos criativos.

Sendo a Gestalt-terapia uma abordagem existencialista, entende-se que a ansiedade é ontológica e, portanto da existência, podendo ser saudável ou disfuncional, contudo é importante ressaltar que, mesmo a ansiedade sendo disfuncional, é uma oportunidade de fazer contato com  questões que estavam sendo evitadas e por conseguinte, uma impulsionadora oportunidade de mudanças de padrões. O que se compreende é que o sintoma de ansiedade, que aparece frente a uma situação existencial, sendo este amenizado ou extirpado, não vai gerar a mudança necessária de auto atualização e crescimento.

O medo do sofrimento leva as pessoas a anestesiar-se, entrarem num estado de anestesia, contato empobrecido, não percepção. O que se pretende não é a exclusão da ansiedade, mas a compreensão do como ela se faz presente e o que causa o sintoma da ansiedade. Neste lugar se fala em dar voz à ansiedade, em ouvir este sintoma que pode ser, como já citado anteriormente, saudável ou disfuncional, mas, sempre na perspectiva da flexibilidade e da mudança e, de uma maior apropriação do que se é.

Na Gestalt-terapia o movimento que se faz é no sentido da compreensão do como muito mais do que na compreensão do por que, visto que o que se pretende é integrar uma forma de viver com a ansiedade, sendo esta ontológica, da forma mais suave, leve e saudável possível de se (com) viver.

Na clinica gestaltica, o que se pretende é através do campo do cliente, compreende-lo como sujeito de contato, portanto sendo um ser que se relaciona consigo e com o mundo, com o tempo e o espaço vivido, com o seu corpo que é veiculo de estar no mundo, assim como no seu processo de dar-se conta do que precisa, para assentar suas vivências e ajustar criativamente seus novos conteúdos, em processo de homeostase, encontrar uma forma saudável e funcional de ser no mundo.

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